Fornecedores

Para a produção e a distribuição dos produtos, compramos insumos, serviços e materiais indiretos de uma variada gama de fornecedores localizados em diversas regiões do País e também no exterior. Em 2008, nos relacionamos com 4.257 fornecedores, dos quais 5,5% oferecem insumos produtivos, que são ativos da biodiversidade, matérias-primas, materiais de embalagem e produtos acabados, e 94,5% prestam serviços ou fornecem ativos ou materiais indiretos (como materiais de escritório ou de limpeza e peças de manutenção de equipamentos).

A estratégia que adotamos está em linha com todo o movimento de ganho de eficiência, qualidade e melhoria da relação, que permeia toda a organização. Queremos estabelecer cada vez mais parcerias de longo prazo, pois entendemos que nossos fornecedores são elos fundamentais de nossa cadeia de valor.

Procuramos diagnosticar as demandas dos fornecedores por meio da pesquisa anual de satisfação. Reformulada em 2008, a consulta buscou melhor identificar as oportunidades de melhoria e, assim, traçar ações corretivas. A reformulação envolveu: perguntas mais objetivas; resultados atrelados aos princípios, processos e áreas, o que facilita o diagnóstico e proporciona um melhor planejamento das ações; resultado por empresa fornecedora (não mais por respondente); e ampliação da amostra, de 152 (em 2007) para 487 (em 2008), principalmente, no segmento de Serviços, Ativos e Indiretos (78% da amostra). Apesar das mudanças na metodologia da pesquisa, os resultados apresentados em 2008 são comparáveis com os de anos anteriores.



O índice de favorabilidade ficou em 74%, em 2008, o que representa uma queda de 10 pontos percentuais em relação a 2007. Associamos o resultado da pesquisa às percepções qualitativas dos nossos fornecedores obtidas no wikishop, dinâmica realizada com representantes desse público. O resultado nos mostra que temos bastante a evoluir na qualidade das relações e estamos diante da necessidade de tomar ações efetivas, que dinamizem a confiança e a geração de valor mútuos e alavanquem a performance da cadeia de abastecimento. Investiremos, portanto, no próximo ano, em iniciativas que possam gerar:

1. maior diálogo;
2. maior compartilhamento de informações;
3. retorno mais adequado aos processos de seleção e escolha de fornecedores;
4. melhor planejamento, organização e cumprimento do combinado na gestão dos projetos de inovação para fornecedores de insumos produtivos;
5. melhor processo de pagamento, principalmente para fornecedores de serviços, ativos e indiretos;
6. e melhor processo de planejamento e controle de insumos produtivos.

Temos convicção de que a construção de uma relação de longo prazo com nossos fornecedores é o que buscamos, o que exige enfrentar dilemas e desafios juntos. Em 2008, diante da necessidade de viabilizar uma estratégia de mercado de reposicionamento de preço de produtos de uso diário (sabonete, xampu e desodorante spray), contamos com o apoio essencial dos fornecedores destas categorias para a redução dos custos totais da cadeia.

Projeto Mercúrio

Atendendo a uma demanda dos fornecedores, implantamos no início de 2008 o Projeto Mercúrio: uma ferramenta de gestão que melhorou o fluxo do processo de compras e reduziu o tempo necessário para confeccionar contratos, assegurando mais agilidade e pontualidade. O principal benefício que nossos fornecedores tiveram foi a redução do tempo de elaboração de contratos, que de 37 dias (média registrada em 2006) passou para cerca de sete dias úteis. Em relação ao compromisso de eliminar falhas nos processos transacionais, relatado no Relatório Anual passado, o Projeto Mercúrio também garantiu uma maior qualidade nos processos de contratação, uma vez que esta se dá de acordo com os requisitos estabelecidos no Sistema de Informação.

Desenvolvimento, Avaliação e Certificação

O programa Qlicar (Qualidade, Logística, Inovação, Competitividade, Atendimento e Relacionamento), criado em 2004, tem como objetivo garantir o desenvolvimento e a alta performance da nossa rede de fornecedores. Hoje, abrange 68 fornecedores que foram selecionados ao longo dos anos em função do histórico e volume de negócios com a Natura.

Em 2008, o programa evoluiu em três aspectos: definição de nova governança; revisão dos objetivos e dos indicadores atrelados a cada dimensão; equalização dos pesos de cada dimensão na nota total. Para capacitar os fornecedores à nova realidade do programa, fizemos dois workshops.

Na dimensão “Q” (Qualidade), destaca-se a adoção do novo indicador relacionado ao programa de Qualidade Assegurada. Para os fornecedores com excelência no Índice de Qualidade, passamos a fazer o recebimento dos seus insumos na condição de Qualidade Assegurada, eliminando a necessidade de controles internos da Natura.

A “Janela de Entrega” foi a principal evolução na dimensão “L” (Logística). Os fornecedores passaram a ter períodos e não mais horários específicos para realizar suas entregas. Os benefícios foram a redução dos horários de pico do recebimento para a Natura; e a redução do tempo de espera e descarga para os fornecedores.

A principal evolução no que diz respeito às dimensões do Qlicar se deu na dimensão “C”, que passou a significar Competitividade em vez de Custo e Condições Contratuais. O novo significado pretende ressaltar a necessidade de se buscar constantemente o aumento da competitividade das cadeias de abastecimento que integram os fornecedores e a Natura.

Outro aspecto relevante, diz respeito à autoavaliação e à auditoria de fornecedores, que abrangem requisitos de qualidade, meio ambiente e responsabilidade social, incluindo aspectos relacionados aos direitos humanos. Todos os fornecedores que estão no Qlicar foram auditados segundo esses parâmetros em 2008. E todos os contratos exigem a não utilização de mão de obra infantil, trabalho forçado ou análogo ao escravo. Atualmente não temos atividades em comunidades indígenas, por isso não registramos nenhum caso de violação de seus direitos.



Comunidades Fornecedoras

O uso sustentável de insumos da biodiversidade brasileira é a principal plataforma tecnológica da Natura. Entendemos que o desenvolvimento das comunidades fornecedoras é fundamental para a conservação do patrimônio ambiental. Estabelecer e manter essa rede de relacionamentos e inseri-la no modelo de negócios é um desafio que a Natura assumiu há alguns anos, com o propósito de incentivar a conservação ambiental e valorizar o conhecimento tradicional. A complexidade da logística de abastecimento (que envolve custos, qualidade e rastreabilidade dos insumos); o marco regulatório ainda em construção que rege os diversos aspectos desse relacionamento; e a diversidade cultural e social das comunidades envolvidas compõem um cenário que exige esforço contínuo.

Atualmente, temos 23 comunidades parceiras da Natura, localizadas nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil e em um país da América Latina (Equador). Ao todo, reúnem 1.895 famílias. Esse conjunto de comunidades caracteriza-se por uma grande diversidade, tanto cultural, quanto socioeconômica. Além disso, estão localizadas em diferentes ecossistemas e apresentam diferentes formas de organização social e institucional. Fazem parte desse público desde pequenos grupos de agricultores familiares no Sul do Brasil até comunidades tradicionais extrativistas com grande número de famílias no Norte do País.

A cadeia de abastecimento também inclui empresas beneficiadoras, que transformam os insumos, provenientes das comunidades, em matérias-primas para nossos produtos. No caso da unidade industrial de óleos e massa de sabonetes da Natura em Benevides, no Pará, este relacionamento se dá atualmente de maneira direta com quatro comunidades fornecedoras, e será consolidado com outras comunidades do entorno em 2009.

Nossa relação com estes grupos, ao longo dos últimos anos, tem sido pautada por diversas formas, diretas e indiretas, de geração local de valor. Além da compra de insumos, estabelecemos contratos de repartição de benefícios e, em alguns casos, apoiamos financeiramente o desenvolvimento destes fornecedores e suas cadeias produtivas.



O crescimento do valor de fornecimento em 2008 está relacionado ao aumento do número de comunidades, principalmente as vinculadas à Unidade Industrial de Benevides, e ao consequente aumento de compras. Quanto à redução dos valores destinados a capacitação, estudos e assessorias, reflete a diminuição em 2008 de nossas atividades voltadas a novos processos de repartição de benefícios.

Ao mesmo tempo em que somos reconhecidos pelos avanços já alcançados, sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer para estabelecer relações de qualidade com essas comunidades. Devemos, por exemplo, aperfeiçoar instrumentos de mensuração dos impactos sociais, ambientais e econômicos de nosso relacionamento.

Em 2008, fizemos um extenso trabalho de levantamento e análise de dados históricos do relacionamento da Natura com as diversas comunidades fornecedoras, que gerou uma avaliação interna sobre a qualidade do relacionamento. Concluímos que, apesar de termos evoluído em transparência e diálogo nos processos de repartição de benefícios, na construção conjunta do preço justo dos insumos comprados, e no estreitamento do nosso relacionamento e comunicação com as comunidades, necessitamos nos aprimorar em vários aspectos, entre eles. o planejamento de demandas, o suporte à capacitação administrativa dos grupos e o processo de negociação dos nossos contratos de fornecimento. Os aprendizados serviram de base para a elaboração dos Princípios de Relacionamento com comunidades fornecedoras.

Antes de iniciar o relacionamento com uma comunidade, fazemos uma avaliação do contexto local, com o objetivo de estabelecer uma relação que maximize os benefícios e minimize os riscos para ambas as partes. De acordo com as características de cada grupo, estabelecemos diferentes estratégias e práticas de relacionamento. Para dar continuidade na avaliação desses impactos, após o estabelecimento da relação de fornecimento, monitoramos toda a cadeia de abastecimento dos insumos da biodiversidade da Natura. Com isso, queremos transformar a relação comercial com os fornecedores em parcerias para práticas empresariais sustentáveis.

Para comunidades extrativistas ou grupos de agricultores familiares tornarem-se fornecedores da Natura, eles devem estar comprometidos com um modelo de produção sustentável e com o fortalecimento do próprio grupo, estar formalizados juridicamente como cooperativa ou associação e demonstrar capacidade gerencial e administrativa.

Procuramos evitar a possibilidade de qualquer ocorrência não desejável e, por isso, inserimos em nossos contratos de fornecimento uma cláusula específica para evitar o risco de trabalho infantil, forçado ou análogo ao escravo no relacionamento comercial com a Natura. Ainda que não tenhamos cumprido a meta assumida para 2008, em que prevíamos a elaboração de um estudo e a implementação de ações neste campo, mantivemosnossa intenção de elaborar, agora em 2009, um estudo para que possamos ter parâmetros de avaliação dos casos em que a organização do trabalho seja culturalmente baseada na estrutura familiar.

Capacitação e eventos

Ao longo de 2008 demos continuidade à estruturação da metodologia e dos indicadores do Programa BioQlicar. Por meio dele, queremos direcionar nossos esforços para melhorar a relação comercial com os fornecedores rurais e influenciar na adoção de práticas empresariais sustentáveis, conforme as potencialidades de cada comunidade. Nossa estratégia, a partir de 2009, será a de aprofundar-nos em relacionamentos com as comunidades atuais, orientados pelos Princípios de relacionamento estabelecidos; pela implementação do programa BioQlicar; e por uma avaliação mais ampla da qualidade do relacionamento. A abertura de novas comunidades não está prevista no curto prazo, pois acreditamos que nosso foco agora é evoluir com as atuais.

Entre as ações que integram o BioQlicar, contamos com dois módulos de treinamentos que a Natura oferece às comunidades consideradas estratégicas. Eles englobam temas como qualidade, boas práticas de processamento, gestão, conhecimento administrativo e custos de produção e comercialização. Em 2008, duas comunidades, localizadas em Rondônia e no Paraná, receberam essa capacitação. Em 2009, outras 17 passarão pelo mesmo processo.

Em algumas comunidades nas quais observamos problemas, como dívidas tributárias e gestão ineficiente dos recursos das cooperativas e associações, disponibilizamos ainda capacitação para a gestão administrativa e a organização institucional. As diversas iniciativas e estudos que acompanham a consolidação da relação de fornecimento geram efeitos multiplicadores sobre os negócios e sobre a organização social dos grupos envolvidos.

Com o intuito de fortalecer nossas parcerias com os fornecedores rurais, realizamos alguns eventos voltados para esse público em 2008. O Encontro Anual com Produtores e Fornecedores Rurais, em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, contou com a participação de 25 representantes de 13 fornecedores. Serviu para reforçar a integração e repassar informações e conhecimentos acerca da produção de mudas florestais, desde a fase de viveiro até o plantio em campo. Também enviamos material informativo sobre a produção vegetal, dando continuidade ao Projeto Semeando Ideias, lançado em 2007, que tem como objetivo a formação e atualização dos fornecedores rurais por meio do envio de apostilas e manuais.

Histórico do relacionamento

Em 2008, foi implementado o sistema de informação de dados, estatísticas e processos internos relacionados às comunidades rurais que trabalham com a Natura. Esse sistema está organizado em painéis de controle eletrônicos, uma ferramenta que permite o registro de uma grande variedade de informações, desde dados básicos de cada comunidade até os tipos de insumos já comprados e os beneficiadores, formando, assim, o histórico do relacionamento. Outro benefício do sistema é monitorar o desenvolvimento das comunidades por meio de indicadores, criar metas e fazer planejamento. Há ainda um quadro resumido do BioQlicar, uma avaliação de qualidade de relacionamento e as ações planejadas para os 12 meses seguintes. A cada quatro meses as informações atualizadas das comunidades são apresentadas ao Comitê de Sustentabilidade da Natura.