A trajetória da Natura demonstra como a atividade empresarial pode estar alinhada com o desenvolvimento social. Em 2008, voltamos a ampliar a geração e a distribuição de valor para todos os nossos públicos. Vale destacar o expressivo aumento da distribuição de riqueza para consultoras e consultores, que passou de R$ 1,7 bilhão, em 2007, para R$ 2,0 bilhões. No entanto, ainda não estamos satisfeitos e acreditamos que podemos evoluir mais em nossos indicadores sociais.



Em maio de 2008, uma pesquisa realizada pela Ipsos Loyalty traçou o perfil desse grande contingente. Ela revelou que a maioria (86%) pertence às classes B e C e que a venda de produtos Natura constitui importante complemento da renda familiar. Um terço das consultoras e consultores tem na venda de produtos a composição de 20% a 50% da renda da família. Mais da metade tem mais de um filho em casa. Em todas as regiões do País, ao menos metade vende somente produtos Natura.

A maioria das Consultoras Natura Orientadoras (CNOs) tem nessa atividade sua única ou principal fonte de renda (75%). Para 53% delas, a atividade representa algo entre 20% e 50% da renda familiar. Elas concentram-se majoritariamente (68%) na classe B, e sua principal motivação para vender produtos Natura é, além da renda, a possibilidade de aprender e tecer novas relações.

Nossa atividade contribui, assim, para minimizar problemas sociais, como o desemprego. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), no Brasil, a venda direta proporciona significativas contribuições sociais e econômicas às famílias e ao País como um todo. Em 2008, o setor movimentou R$ 18,5 bilhões, um avanço de 14,1% sobre o ano anterior. Estima-se que a venda direta dê oportunidade de trabalho e geração de renda para cerca de dois milhões de brasileiros.

Também geramos valor para as comunidades fornecedoras de ativos da biodiversidade, que recebem recursos de quatro diferentes maneiras: pelo fornecimento de matéria-prima; pela repartição de benefícios pelo acesso ao patrimônio genético ou conhecimento tradicional associado; pelo uso de imagem; e em fundos e convênios para promover o desenvolvimento sustentável.

Em 2008, foram assinados 14 contratos de utilização do patrimônio genético e repartição de benefícios (Curb), dos quais oito com comunidades e seis com outros atores (empresas, Governo e fazendeiros). Também fizemos os pagamentos dos Curbs referentes aos processos que ainda estavam em análise no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), ligado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). Com o conhecimento do órgão, a Natura optou por fazer os pagamentos às comunidades por entender que já estava tendo benefícios com esses contratos.

A maior parte dos processos relacionados à repartição de benefícios da Natura permanece em avaliação no CGEN. Por orientação do órgão, realizamos os pagamentos de todos os contratos protocolados, que incluíam processos iniciados em 2004 – em alguns casos, os pagamentos de repartição de benefícios estavam vinculados a produtos lançados em 2001. Portanto, o aumento expressivo nos valores de repartiçãode benefícios está relacionado ao fato de que, até 2007, a Natura pagou apenas os contratos autorizados pelo CGEN (três comunidades fornecedoras e cinco empresários rurais e agricultores familiares, até 2008). Já em 2008, efetuamos os pagamentos referentes aos 19 contratos protocolados.



Matriz de Investimento

O valor total de investimentos em responsabilidade corporativa da Natura foi mantido nos patamares do ano anterior. Os destaques ficam por conta de meio ambiente, graças aos investimentos em projetos de compensação de carbono, de consultoras e consultores, pois houve um aumento no valor investido em mobilização do canal Movimento Natura), e na sociedade, com aumento nos investimentos em apoios e patrocínios.

Houve, de maneira geral, uma redução nos investimentos em educação corporativa, que acompanhou o processo de reestruturação pelo qual a Natura passou, em 2008. Os treinamentos para a força de vendas, bem como para o pessoal da fábrica, que têm foco na qualidade do relacionamento e na sustentabilidade, não sofreram nenhuma modificação. A área de educação corporativa foi, portanto preservada já que tivemos um volume grande de ações com custos mais baixos.

Na Matriz, consolidamos os investimentos em projetos ou ações não intrínsecos ao negócio da Natura e que vão além das exigências legais.



Crer para Ver

A educação é o principal instrumento capaz de promover uma mudança estrutural na sociedade. Por isso, desde 1995, desenvolvemos o Crer para Ver, programa criado com o objetivo de promover a melhoria na qualidade da educação nas escolas públicas brasileiras. Na sua estrutura, contamos com a participação de nossas consultoras e consultores, que vendem, sem obter lucro, produtos desenvolvidos exclusivamente para a linha Crer para Ver.

O recurso líquido obtido viabiliza vários projetos, sem nenhum lucro para a Natura ou remuneração para consultoras e consultores. Em 2008, foram lançados novos produtos da linha no portfólio Brasil, como o kit de post-it, o conjunto de lápis e a sacola de compras, que também traduz nossa preocupação com o meio ambiente por ser uma alternativa às sacolas plásticas.

No Brasil, arrecadamos um total de R$ 3.767 mil, dos quais R$ 3.381 mil foram investidos em sete iniciativas de caráter educacional. A diferença entre o total arrecadado pelo programa Crer para Ver e o montante investido é explicada pelo fato de que o total arrecadado em um ano compõe um fundo que é investido nos diversos projetos apoiados pelo programa ao longo dos anos seguintes. Em 2008, lançamos o Crer para Ver em alguns países da América Latina, como a Argentina.

O investimento total anual em projetos do Crer para Ver diminuiu 21,92%, em 2008, devido à finalização da campanha de incentivo às matrículas no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), do Ministério da Educação (MEC), junto a consultoras e consultores. Consideramos que ele conquistou maturidade e estabilidade e, por isso, incentivar o retorno aos estudos já faz parte da rotina de nossas consultoras e consultores. Entre 2006 e 2008, nossa equipe direcionou mais de 170 mil pessoas de volta à sala de aula.



Projetos apoiados pelo Crer Para Ver

Formar em Rede
Desenvolvido em parceria com o Instituto Avisa Lá e o Instituto Razão Social, o projeto conta com a parceria e o apoio de diversas empresas. Atende crianças de 0 a 6 anos e está presente em 31 municípios de 13 estados brasileiros. Seu propósito é implementar uma comunidade virtual de formadores de opinião (diretores, coordenadores pedagógicos, professores e técnicos), por meio de ações presenciais e a distância, para fortalecer, disseminar e desenvolver práticas de qualidade na educação infantil. Em 2008, foram realizados investimentos em infraestrutura nas secretarias, aquisição de materiais pedagógicos e formação profissional. Entre os resultados alcançados, 79% dos formadores locais apresentaram a versão final do projeto institucional proposto no início do processo; 100% dos diretores ou coordenadores realizaram encontros com sua equipe de professores e 52% dos professores passaram a proporcionar com frequência materiais diferentes dos que costumavam oferecer no inicio do ano.

Projeto de Incentivo à Leitura - EJA
Realizado em parceria com as ONGs Ação Educativa, Alfabetização Solidária e Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, o projeto envolve 1.500 escolas de Educação de Jovens e Adultos em 783 cidades. Distribuímos, entre 2006 e 2008, acervos com 50 livros às escolas participantes, num total de 75 mil livros, além de materiais de apoio, com sugestões de atividades relativas à leitura e orientações para a gestão e o correto uso do acervo. A iniciativa foi aprovada por 99,5% dos professores envolvidos no programa e 98,4% dos professores afirmaram realizar leituras em sala de aulas a partir dos materiais enviados.

Encontros de Leitura
Viabilizado em parceria com o Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária, o programa é voltado para a conscientização de educadores, que trabalham com crianças de 4 a 6 anos, sobre a importância da realização de ações que ajudem no desenvolvimento da capacidade leitora dos estudantes. O projeto tem duração de 2 anos e, entre 2007 e 2008, 248 escolas de 10 municípios participaram do projeto. É importante lembrar que o projeto atende a totalidade de escolas dos municípios escolhidos. Para aprofundar o trabalho dos professores e potencializar o programa, foram distribuídos livros e materiais selecionados por especialistas em educação. No total, foram entregues 20.566 exemplares, sendo 84 títulos de livros infantis e 65 de literatura para os professores.

Projeto Chapada
O Instituto Chapada de Educação e Pesquisa é o parceiro da Natura neste programa, que objetiva melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e reduzir as taxas de evasão e reprovação das escolas dos 25 municípios das regiões da Chapada Diamantina e do semiárido baiano. Para alcançar essas metas, o programa aposta na formação continuada de diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores técnicos e professores. Em 2008, foram realizados 22 eventos de mobilização em 26 das escolas participantes com o objetivo de assegurar a continuidade do programa após a troca de comando público ocasionada por conta das eleições. O projeto atende diretamente 895 diretores, supervisores e coordenadores pedagógicos e indiretamente 5.800 professores e 124 mil alunos.

Em Cada Saber um Jeito de Ser
Implementado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), que atua nas cidades baianas de Santa Sé, Senhor do Bonfim e Filadélfia, o programa visa capacitar professores que atuam na EJA. Mais que trabalhar com as questões pedagógicas, o projeto quer provocar a reflexão sobre a realidade local dos estudantes. A ideia é despertar nos alunos um novo jeito de estudar, que contextualize os conteúdos pedagógicos ao mundo que os cerca. Foram beneficiados 160 professores e mais de 3.700 alunos. Também foi publicado um livro didático de educação de jovens e adultos do semiárido brasileiro, que é resultado de uma construção conjunta entre os participantes do projeto. Em 2008, conforme previsto, foi encerrada a parceria entre o Programa Crer para Ver e o IRPAA.

ParticipAção
Fruto da parceria com o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas, e com a Diretoria de Educação de Cajamar, o programa engloba as 29 escolas de educação infantil e ensino fundamental da cidade e visa aproximar os pais da vida escolar de seus filhos. Em encontros – presenciais e a distância – com pais de alunos, funcionários, professores e gestores educacionais, são debatidos temas pertinentes à escola. A expectativa é que os participantes do projeto se tornem multiplicadores e que, nos próximos anos, aumente o número de pais envolvidos com as unidades escolares. Em 2008, o programa atingiu diretamente 160 pessoas e, indiretamente, toda a rede de educação local, cerca de 11 mil alunos. A partir da aprendizagem, foram elaboradas propostas para atividades nos temas abordados, as quais deverão ser implementadas no ano de 2009.

Nossa Língua Digital
Idealizado em conjunto com a Diretoria de Educação de Cajamar e com o portal Klick Educação, o projeto propõe a inserção de alunos das últimas séries do ensino fundamental e da EJA no universo digital. Graças ao Nossa Língua Digital, 210 estudantes desenvolveram diversas atividades utilizando computadores. O programa também se estende à capacitação de professores da rede municipal, e ao término do programa os alunos de sete escolas municipais de Cajamar criaram uma revista on-line na qual puderam aprimorar a sua escrita e oralidade.

Veja a tabela Investimento do Programa Crer para Ver em 2008 clicando aqui.

Apoios e Patrocínios

Nossa atuação por meio de apoios e patrocínios compreende três frentes distintas: desenvolvimento sustentável; fortalecimento de organizações da sociedade civil e cultura brasileira. No âmbito cultural, demos prosseguimento ao projeto Natura Musical, que apoia iniciativas que dão visibilidade ao patrimônio musical brasileiro. A escolha dos projetos é feita por meio de editais públicos, com base nas leis de incentivo fiscal, com contrapartida de recursos da Natura. Em 2008, o Natura Musical patrocinou 31 projetos em todo o País, somando-se a outros 79 projetos apoiados desde seu lançamento, em 2005.

As diretrizes de apoios e patrocínios são uma forma de alinhar os investimentos em projetos institucionais às crenças que orientam nosso comportamento empresarial. Também direcionamos nossas ações de desenvolvimento sustentável a iniciativas de consumo consciente, inclusão social e incentivo às áreas verdes urbanas. Procuramos selecionar iniciativas que proporcionem à sociedade uma experiência mais próxima e integrada com a natureza nos espaços urbanos, de forma a promover a consciência a respeito da interdependência e o conhecimento sobre a biodiversidade.

Atuamos nas oficinas de automaquiagem, ministradas por consultoras voluntárias para mulheres fragilizadas, física e emocionalmente. Até 2007, as oficinas ocorriam apenas em hospitais com atendimento a pacientes com câncer e, a partir de 2008, iniciamos essas oficinas em comunidades populares do Rio de Janeiro, nos núcleos culturais do Grupo AfroReggae. O objetivo é proporcionar a interação entre as pessoas, a troca e o autoconhecimento.

Seguimos apoiando entidades e associações representantes de nosso setor e que contribuem de alguma maneira para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, apoiamos a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) na oferta de cursos sobre as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) para jornalistas, e a própria GRI na sua missão de desenvolver padrões globalmente aceitos para relatórios de sustentabilidade por meio de um processo participativo de stakeholders. Apoiamos também o Instituto Ethos desde a sua fundação, em 1985, bem como suas campanhas e pactos em favor da divulgação da responsabilidade social empresarial no Brasil, entre eles o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção.



Principais projetos apoiados em 2008:

Cultura
Natura Musical
O Natura Musical é o programa de patrocínio cultural da Natura que tem como compromisso estimular e difundir a música que resulta do encontro sincero, inventivo e harmônico de elementos tipicamente brasileiros com conceitos, ideias e sonoridades universais. Os projetos patrocinados são escolhidos de forma direta e também por meio de editais públicos, com base nas leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, Lei do Audiovisual e Leis de Incentivo à Cultura dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Em 2008, apoiamos mais de 100 projetos musicais dos mais diversos estilos, desde jongos quilombolas até a gravação do DVD da cantora Marisa Monte.

Desenvolvimento Sustentável
Banco de DNA de Espécies da Flora Brasileira
Um projeto de destaque em 2008, e que se estenderá até o final de 2009, é o Banco de DNA de Espécies da Flora Brasileira, iniciativa do Jardim Botânico da cidade do Rio de Janeiro. O apoio, firmado já em 2007, estabeleceu que deveriam ser inclusas duas mil novas amostras no sistema do Banco de DNA.

Fortalecimento de Organizações da Sociedade Civil
Ashoka
A Natura se uniu à Ashoka, organização mundial sem fins lucrativos, para patrocinar o evento de apresentação dos novos empreendedores sociais da entidade no continente sul-americano. No Chile desenvolvemos em parceria com a Ashoka, o programa Consultora Natura (CN) Empreendedora Social, que permite a identificação de CNs que tenham perfil empreendedor. O programa consiste em apoiar financeiramente as CNs selecionadas para o próprio desenvolvimento, e oferecemos uma capacitação profissional aplicada pela Ashoka com o intuito de potencializar o perfil empreendedor e formar redes de intercâmbio de experiências e contatos. O programa foi lançado em março de 2008 somente no Chile. Nesse ano foram selecionados 9 projetos.

Instituto AfroReggae
Através da parceria com o Instituto AfroReggae, pelo segundo ano consecutivo, a Natura foi a patrocinadora institucional do grupo, contribuindo para a promoção de atividades culturais nas comunidades fluminenses de Vigário Geral, Complexo do Alemão, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho e Nova Iguaçu.