A receita líquida consolidada alcançou R$ 3,6 bilhões, 17,7% superior à registrada em 2007. O lucro líquido de R$ 542,2 milhões foi 17,3% maior do que no ano anterior, e o EBITDA foi de R$ 859,9 milhões, com crescimento de 22,5% e margem de 23,8% – acima do guidance de um piso de 23%, divulgado no início do ano, e que permanece para os anos de 2009 e 2010. Terminamos 2008 com um saldo de R$ 350,5 milhões em caixa e um endividamento líquido correspondente a 0,11x o EBITDA do ano.

Receita Líquida Consolidada

A receita líquida consolidada foi de R$ 1.145,8 milhões no 4T08, com crescimento de 22,0% em relação à receita do 4T07. No Brasil, a receita líquida cresceu 20,1%, e no mercado externo o aumento foi de 63,6% em reais (43,5% em moeda local ponderada).

A receita líquida consolidada em 2008 foi de R$ 3.618,0 milhões, uma evolução de 17,7% em relação a 2007. No mercado interno, a receita líquida cresceu 16,3% e no mercado externo aumentou 45,9% em reais (45,9% em moeda local ponderada). A participação da receita proveniente do mercado externo na receita total passou de 4,7%, em 2007, para 5,9%, em 2008.



Custos e Despesas

No ano, o Custo dos Produtos Vendidos (CPV) apresentou redução, passando de 32,3%, em 2007, para 31,9%, em 2008, em função, principalmente, de uma melhor gestão dos custos de manufatura, menor incidência de perdas de produtos e promoções e menor alíquota média de imposto na operação brasileira.

As despesas com vendas, como percentual da receita líquida, mantiveram-se estáveis em 33,8% no 4T08 e no 4T07. Houve aumento de despesas por conta da expansão do canal de vendas nas operações internacionais e do processo de regionalização da área comercial na operação brasileira. Estes gastos foram compensados por ganhos de produtividade na prestação de serviços aos clientes no Brasil e pela redução do custo unitário da revista, nosso catálogo de vendas.

No ano, as despesas com vendas, como percentual da receita líquida, passaram de 31,5% em 2007 para 32,5% em 2008, devido ao aumento nas despesas de marketing no Brasil, conforme planejado e divulgado em nosso plano de ação, além do forte crescimento do canal de vendas nas operações internacionais.

As despesas administrativas, como percentual da receita líquida, apresentaram redução de 210 pontos-base, passando de 13,1% no 4T07 para 11,0% no 4T08. Esta diminuição, influenciada principalmente por eventos na operação brasileira, foi parcialmente compensada por maiores gastos com as operações internacionais, reflexos das despesas na estrutura montada para apoiar os estudos e o planejamento nos Estados Unidos e de uma maior provisão para participação nos lucros relativa a 2008.

No ano, as despesas administrativas, como percentual da receita líquida, passaram de 12,7%, em 2007, para 11,6%, em 2008, basicamente pelos mesmos fatores citados acima.

EBITDA e Lucro Líquido

O EBITDA consolidado foi de R$ 259,6 milhões no 4T08 versus R$ 199,4 milhões no 4T07, com crescimento de 30,1%. A margem EBITDA passou de 21,3% no 4T07 para 22,7% no 4T08. No ano de 2008 o EBITDA alcançou R$ 859,9 milhões com crescimento de 22,5% em relação aos R$ 702,0 milhões apresentados em 2007. A margem ficou acima do piso que estabelecemos como guidance para o triênio 2008 a 2010, alcançando 23,8% no exercício.



A Natura tem como política de gestão de risco manter seus resultados, projetados em período de pelo menos seis meses, o mais possível independentes de oscilações cambiais. Nosso modelo de proteção, que leva em conta as variações do câmbio na compra de insumos, nos investimentos externos e nos saldos em outras moedas, influenciou positivamente o resultado financeiro líquido no 4T08 e no exercício de 2008.

O lucro líquido consolidado foi de R$ 162,6 milhões no 4T08 versus R$ 135,6 milhões no 4T07, com crescimento de 20,0%. A menor taxa de crescimento do lucro líquido em relação ao EBITDA no 4T08 se deve principalmente a uma maior despesa de imposto de renda, que foi afetada em função da metodologia de linearização da taxa efetiva anual, maior do que o projetado. No ano, o lucro líquido consolidado foi de R$ 542,2 milhões versus R$ 462,3 milhões em 2007, representando um crescimento de 17,3% e margem líquida de 15,0% nos dois exercícios.

A maior despesa de imposto de renda em 2008 deveu-se principalmente a: 1) não declaração de juros sobre o capital próprio; 2) aumento no prejuízo gerado nas controladas em relação ao LAIR; e 3) menor representatividade da reversão da provisão do ágio.

Investimentos (Ativo Imobilizado)

Os investimentos realizados no imobilizado, em 2008, foram de R$ 102,7 milhões, alocados principalmente na expansão da capacidade de produção e logística e tecnologia da informação. Para 2009, os investimentos programados serão de R$ 140,0 milhões.

Resultados Pró-Forma por Bloco de Operações

Desde o 2T07, apresentamos em reais os resultados pró-forma dos blocos Brasil, operações em fase de consolidação e operações em fase de implantação. A margem de lucro auferida nas exportações do Brasil para as operações internacionais foi subtraída do CPV das respectivas operações, demonstrando o real impacto dessas subsidiárias no resultado consolidado da empresa. Desta forma, a Demonstração de Resultados pró-forma Brasil apresenta apenas o total das vendas realizadas no mercado interno.

A partir do primeiro trimestre de 2008, passamos a apresentar os resultados pró-forma das operações internacionais com a abertura de resultados entre as operações na América Latina (LATAM) e outros mercados. Dentro da operação LATAM, destacamos dois blocos de operações: em consolidação (Argentina, Chile e Peru); e em implantação (México, Colômbia e Venezuela).



Na França e nos Estados Unidos, tivemos prejuízos operacionais (EBITDA) de R$ 16,6 milhões no 4T08 contra R$ 6,6 milhões no 4T07, influenciados pelos gastos com o projeto de análise e planejamento nos Estados Unidos e pelos resultados ainda negativos na França. No ano de 2008, este prejuízo foi de R$ 42,8 milhões, pelos mesmos motivos mencionados acima.



Nas operações em fase de consolidação (Argentina, Chile e Peru), a receita líquida foi de R$ 55,6 milhões no 4T08, apresentando crescimento ponderado de 34,7% em moeda local (55,7% em reais), em relação ao 4T07. No ano de 2008, estas operações apresentam receita líquida de R$ 164,4 milhões, representando um crescimento ponderado de 39,6% em moeda local (35,6% em reais) em relação a 2007.

O EBITDA nessas operações manteve-se novamente no break-even no 4T08 em R$ 0,6 milhão positivos versus R$ 2,9 milhões negativos no 4T07. No exercício de 2008, o EBITDA também ficou virtualmente no break-even (R$ 1,4 milhão negativo), com melhora significativa na margem, que passou de -4,2% para -0,9%, quando comparado com 2007. Vale ressaltar que o maior lucro bruto destas operações foi direcionado a despesas de marketing e ao crescimento do canal de vendas. O número total de consultoras nessas operações atingiu 90 mil no final do ano, com forte crescimento de 29,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior.



Nas operações em implantação (México, Venezuela e Colômbia), a receita líquida foi de R$ 15,0 milhões no 4T08 contra R$ 7,5 milhões no mesmo período do ano anterior. Em 2008, a receita líquida destas operações foi R$ 44,0 milhões versus R$ 21,7 milhões de 2007. O número total de consultoras nessas operações alcançou 28,2 mil ao final do exercício.



Fluxo de Caixa

A geração de caixa livre foi de R$ 499,1 milhões em 2008, versus R$ 171,3 milhões no ano anterior. A geração interna de caixa em 2008 foi de R$ 630,2 milhões, 17,3% superior ao registrado em 2007. A este total foram adicionados R$ 29,7 milhões do capital de giro operacional.

Para melhor compreensão da redução do capital de giro em 2008 é preciso considerar os efeitos ocorridos em 2007: 1) redução extraordinária de R$122,0 milhões no saldo das contas a receber em 31/12/07, resultado da política de crédito mais flexível adotada nas vendas de Natal; e 2) efeito de R$ 25,0 milhões no saldo dos estoques por conta da receita menor que a estimada naquele período.

A estes efeitos se somaram também impactos transitórios de R$ 24,0 milhões em impostos a recuperar (líquidos de efeitos também transitórios de impostos a pagar), decorrentes da alteração da mecânica de substituição tributária de alguns Estados, além de efeitos estruturais de: 1) R$ 15,0 milhões em impostos a pagar, por conta do alongamento do prazo de recolhimento de ICMS no Estado de São Paulo; 2) R$ 32,0 milhões nos estoques por conta da descentralização física e da maior cobertura das Operações Internacionais; e 3) R$ 28,0 milhões em salários a pagar decorrente da alteração na política de remuneração variável. Incorporados estes efeitos o capital de giro evoluiu em linha com o crescimento e a estratégia do negócio.

Os investimentos realizados no imobilizado em 2008 foram de R$ 102,7 milhões, alocados principalmente na expansão da capacidade de produção e logística e tecnologia da informação. Os investimentos no imobilizado para o ano de 2009 serão de R$ 140,0 milhões.